sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Nikinha

Nikinha
Tinha acabado de mudar para uma casa, perto de um campo de futebol. O quintal era grande, mas muito cheio de
entulhos, plantas quase não havia. Animei-me com o fato de transformar aquele lugar, limpando e plantando, mas o
que eu não sabia, é que estava preste a ganhar um presente anônimo.
Em um feriado, o campo estava cheio de torcedores, o barulho era muito, mas a alegria contagiante. No primeiro gol,
soltaram foguetes, estava no quintal, como de costume cuidando do meu jardim, que logo dava as primeiras flores do
campo, mas eram lindas e eu as amava. De repente, entra pelo buraco que havia no portão, um cachorrinho desesperado, que mais tarde saberia se tratar de uma cachorrinha. O medo dos foguetes era tanto, que ela aceitou que
eu me aproximasse dela. Sempre tive muito medo de cachorro, muito mais um desconhecido. Mas percebi pelo olhar
que com ela seria diferente. Dava nojo o pêlo todo embaraçado, sujo e mal cuidado. Com certeza estava abandonada,
a alguns meses. O coração dela tremia, pois também não sabia o que poderia lhe acontecer naquele lugar. Acho que
entrou no lugar certo, se ela estava carente de carinho e cuidados eu também.
Tratei logo de dar um pouco de leite para ela, aceitou e tomou tudo. Meu filho foi ao supermercado e comprou ração
parece que ela aceitou, só para me agradar, comeu só um pouquinho. As pessoas que chegaram lá em casa tiveram nojo, e ficaram com medo de se aproximarem e pegar alguma doença. Somente uma sobrinha, resolveu me ajudar,
começamos a cortar um pouco de seu pêlo, ela estava gostando, logo ficamos amigas, descobrimos que era fêmea
precisava de um nome, deixei para meu filho escolher. O primeiro nome que veio na cabeça dele foi Nike, assim
nós a chamaríamos.
No dia seguinte, a levei em um veterinário que constatou pelos dentinhos para fora, se tratar da raça SRD. Teria
ficado na rua por três meses mais ou menos.Estava com oito meses aproximadamente. Enquanto a deixei lá para
ser tosada e cuidada, fui na casa lotérica, fazer uma aposta em um jogo que há muito não fazia. Paguei com o cartão
no veterinário o valor de R$65,00, gastei um real no jogo. Incrível eu ganhei R$66,00 reais no jogo, Nikinha começava
a me dar sorte.
Agora ela tinha uma dona, um nome e era muito querida. Talvez por ter sofrido na rua, Nikinha dá tanto valor a
uma família. É uma gracinha, anda de duas patas, igual cachorrinho de circo. Saio para trabalhar, deixo sua ração
mas ela gosta de comer só quando estou por perto. Faz amizades facilmente, adora crianças e banho.
No nascimento de minha neta mais nova, que mora em outra cidade, fui para recebê-la. Não deixamos ninguém
em casa, só Nikinha mas meu filho que ficou na casa da tia, iria cuidar dela todos os dias em que eu estivesse viajando.
Infelizmente em uma noite, um ladrão arrombou minha casa, fez a maior bagunça. Chegou a desligar os fios todos do
computador, mas Nikinha deve ter latido tanto, que ele não conseguiu levá-lo. Logo a polícia foi chamada, e eles a
encontraram, rouca , assustada, mas tentando cuidar como podia da casa.
Minha neta nasceu saudável, logo voltei para casa. Cada vez mais amo Nikinha. Aprendi que quando se dá amor,
não importa a quem, nós somos retribuídos com mais amor!
Giselda Imaculada Batista